Rapazes dão a gancha às raparigas e depois pedem-lhes o pito

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Manda a tradição com séculos de história que em Dezembro a rapariga dê o pito ao rapaz, e em Fevereiro ele retribui com a gancha.

Ao contrário da maioria da doçaria regional que teve berço “conventual”, os pitos, que a tradição manda comer no dia de Santa Luzia (13 de Dezembro) tiveram criadora de origem rural e humilde, na aldeia de Vila Nova, em Vila Real, embora de “fábrica” igual à daqueles.

Os pitos de Santa Luzia foram inventados por Ermelinda Correia, que veio a ser mais tarde a Irmã Imaculada de Jesus, natural de Vila Nova em Vila Real. Esta rapariga tinha um defeito: era muito gulosa.

Este facto obrigou seus pais a enclausurarem-na no convento de Santa Clara, na esperança de transformar o pecado em virtude.

A Irmã Imaculada tornou-se devota de Santa Luzia, padroeira dos cegos e das coisas da vista. Um certo dia estava a irmã a aplicar os curativos nos seus doentes (feridas, contusões e inchaços nos olhos), com uns pachos de linhaça, que eram uns quadrados de pano cru onde se colocava a papa, dobrando as pontas para o centro para não verter a poção – usados como pensos para os ferimentos, quando de repente teve uma visão!

Correu para a cozinha e fez a massa de farinha e água e cortou-a em pequenos quadrados. Tinha consigo o cibo do açúcar que lhe cabia na ração, e fez uma compota de abóbora.

À imagem dos pachos dobrou a massa por cima da compota e levou ao forno a cozer. A seguir despachou-se a esconde-los, pois estava proibida de ser gulosa.

A caminho cruzou-se com a madre superiora que era cega. A madre perguntou desconfiada, o que leva no tabuleiro, cheirando o perfume adocicado, a Irmã Imaculada, apressa-se a responder que são pachos de linhaça para os doentes do dia seguinte.

À noite na cela, a irmã Imaculada sossegou a alma, e não sequer se sentia culpada, pois sempre ouviu dizer que “do que não se vê, não se peca”.

Pito

A gancha é feita de açúcar e água. Assim simples. Um doce típico de Vila Real em forma de bengala, inspirado no báculo de São Brás, que foi bispo, e cuja associação não tem uma explicação muito bem definida.

Pito

E o pito? O pito é outro doce, não tão simples como a gancha. São feitos de massa quebrada em forma de quadrado cujos cantos são dobrados para dentro, guardando no seu interior doce de abóbora e canela.

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